A lavadeira

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Louca de ciúme

O melhor de tudo não foi tão somente rasgar os papéis. O melhor de tudo foi rasgar todas as contas que foram enviadas para um endereço que não era o nosso. Não era sequer dos seus pais ou da sua avó. Triturar todo o resto de lembrança daquilo que você um dia chamou de “lar” ou “nossa casa”. Todas as faturas de cartões de crédito que não compraram presente pra mim ou pra nós. Mandar embora toda a sua poeira, reduzir a lixo o documento daquele carro onde você não andou sozinho, que não continha a nossa história de uma noite muito louca. Sabe-se lá quantas outras noites e em que companhias muito loucas você passou naquele carro.
Doar, jogar fora, mandar pro lixo para todo o sempre amém blusas que você não usou pra me abraçar, que nunca viram meu cheiro, sapatos que não trouxeram você pra mim antes que tudo isso acontecesse.
Ver você mandar embora sem volta cartões inúteis de namoradinhas da quinta série, fotos suas abraçadas a uma outra qualquer na sua formatura de terceiro ano, bilhetinhos tolos azuis com algum garrancho, em cujo campo de destinatário alguma tola tenha escrito “Felipe, meu amor”.
Também torci em silêncio para que seu computador precisasse ser formatado sem back up, pra que você perdesse fotos escondidas em algum lugar daquele maldito HD e a playlist “Segundas intenções” fosse mandada pro inferno – onde, aliás, se encontram as boas intenções.
Como bem disse uma amiga minha de colégio no encontro de sábado: sou avessa a fotos. Os melhores clicks estão na minha memória, não preciso de um papel pra me lembrar.
Quer dizer, eu preciso. Das nossas fotos. Não das SUAS fotos onde eu não apareço nem sequer por trás da câmera.
Verdade. Mas bem mais ou menos.
Graças a Deus as lembranças vão ficando meio embaçadas com o passar do tempo e hoje confesso que tenho que fazer alguma força pra me lembrar de fisionomias de anos atrás. Acho que com todo mundo é assim e com você, meu amor com o cérebro do tamanho de uma azeitona, não seria diferente. Então às favas com as fotos!
Você me pediu que te ajudasse a empreender a tarefa de arrumar o guarda roupa. Acontece que ver seu passado passar por mim doeu mais do que eu imaginava. E eu imagino coisa pra caramba!
Ver que o que veio errado na sua mudança você nunca jogou fora, que lembranças insignificantes você nunca jogou fora, doeu demais. E você me comparar com a sua ex-mulher como num ato de heroísmo da minha parte ter conseguido arrancar um ranço de você foi um soco na boca do estômago!
O Fred foi meu primeiro namorado, sabia? Foram dele as cartas mais lindas que uma mulher, adolescente ou não, podia ter recebido na vida. E sabe o que eu fiz com elas? Joguei fora. Joguei fora os cartões mais apaixonados que recebi, as camisas que guardava de lembrança, várias fotos do que um dia fomos nós dois – e por “nós dois” defina-se eu e todo aquele que não foi você.
“Eu hoje joguei tanta coisa fora
Vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias
Gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim”
Eu te falei que às vezes a vida da gente não anda por causa do tanto de tralha que a gente vai guardando. Você riu e deu de ombros até encontrar, no meio da bagunça, um cartão que precisava há tempos para resolver um problema. Viu? A vida andou.
Não sei como você não conseguiu entender o meu desapego na hora de arrumar o meu armário... Se não usa há mais de um ano ou se não cabe mais, é lixo. Se não faz mais parte da minha vida, é lixo. Sou pequena demais pra ser museu. E nos meus 162cm de altura só cabem o presente – que, como diria Drummond, é tão grande – e a perspectiva de um futuro sensacional. Olhar pra trás é a mesma coisa que olhar nos olhos da Medusa: morte certa. Eu sei que o que sou hoje é fruto do passado, mas o que serei amanhã vai ser fruto de hoje. E não vou seguir arrastando correntes.
Tudo isso pra te dizer que eu fiquei com muita raiva de você ter tido uma vida antes de mim. Você devia ter me esperado eternamente, num monastério, num retiro budista na Índia, sei lá! Eu devia ter sido a primeira em tudo.
E não se atreva a dizer que o meu passado cresce a cada dia diante dos seus olhos te chamando pelo nome. Só eu sou passível de loucuras possessivas. Você não.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

M.A.C Wonder Woman

Depois de um longo e tenebroso inverno, eis que volto a me aventurar no mundo da moda e da beleza em busca de novas possibilidades para o horário extra 9 to 5...
E confesso que tenho comprado, ganhado e descoberto muita coisa bacana. Logo, com vista aos novos projetos que virão em 2012, nada melhor que exercitar a redação publicitária (ainda que nenhum dos próximos posts sejam piblieditoriais - YET) aqui no meu espacinho para que quando as novas portas se abrirem a escrita esteja devidamente afiada afim de agradar potenciais clientes e fornecedores.
Vamos começar com as minhas (boas) impressões sobre um gloss da M.A.C que ganhei de presente da minha tia.
Snob
Quando a gente fala em M.A.C tem-se a sensação de algo já batido, afinal, todo mundo junta uns trocados pra ter um Snob, um Ruby Woo ou um Russian Red na necessária. Me arrisco inclusive a dizer que, assim como o iPhone, virou uma coisa meio pop.
Há algum tempo eu experimentei sem muito sucesso um Snob (do salão) para uma ocasião especial e não fui das mais bem sucedidas. Não sei o que acontece com a minha pele, mas fato é que eu NUNCA consigo encontrar (e tento com MUITO esforço) um tom de batom que fuja ao trivial E fique bom em mim.
Com cor de cabelo é a mesmíssima coisa - tanto que minhas amigas dizem que sou uma metamorfose ambulante, já que fui loira, morena e hoje ostento a duras penas um ruivo em homenagem única e exclusiva a um namorado louco por ginger girls.
Fui madrinha do casamento de uma das minhas melhores amigas há duas semanas e o resultado da tentativa de me entregar a um batom vermelho foi desastroso! Tive que me render ao bom e velho tom de boca.
É muita boca pra muito batom. Não ornou!
Mas, como nem tudo nessa vida está perdido, na segunda-feira, minha tia me deu um gloss da coleção Wonder Woman M.A.C.
Quando olhei a caixinha claro que fiquei mega feliz. Quem não fica feliz de ganhar M.A.C nessa vida?! Mas ao abrir o tubinho e tirar o aplicador me assustei com o TAMANHO da esponjinha. É GIGA! Coisa de super-heroína mesmo! E o conteúdo era muito vermelho. "É para o Natal!" Respirei fundo e guardei o mimo decidida a experimentá-lo antes de julgar.

GIGA aplicador!
Dia seguinte, atrasada pro trabalho - como sempre - e eis que me arrisco a passar o gloss no trânsito, entre um sinal fechado e outro. DESASTRE!
O aplicador, lógico, por ser grande, traz uma enorme quantidade de líquido! Por pouco não fiquei feito uma palhaça. Tentei espalhar o máximo que pude, mas ainda sim ficou carregado, escorrendo e borrado porque é meio denso! CAOS! Mas pelo menos a cor não era tão forte quanto eu achava. 
Cheguei no trabalho e "lapidei" os borrões na boca. Ficou ok.
Tenho que dizer que durou bastante para um gloss e hidratou os lábios também - o que, para alguém que tem os lábios subsaarianos como os meus, é uma vitória! Evita as malditas pelinhas que se soltam depois que o gloss seca/acaba e que a gente fica com ganas de morder e arrancar.
Bem, ao longo do dia fiquei um pouco traumatizada com a experiência "glossorrágica" e não reapliquei depois do almoço.
Mas hoje tive um evento importante de um parceiro de vendas da empresa e resolvi usar o bendito de novo, só que aplicado de uma forma diferente: em vez de passar a esponjinha direto nos lábios, peguei o conteúdo da pontinha aos poucos com um pincel fino de batom e fui desenhando de pouco em pouco como se fosse um lápis. Isso exige sim um teco de habilidade, mas nada que uns dias de treino e doses de delicadeza não resolvam. Depois do desenho feito, caprichei um pouco mais na dose e fui preenchendo até ficar na cor que eu queria.
Ficou lindo! Pena não ter tirado foto para vocês verem. Não ficou translúcido como um gloss e nem seco como um batom matte, por exemplo!
Sensacional! Agora quero todos os glosses coloridos da M.A.C! Alô? Noel? Tem uma loja no Pátio e uma no BH, tá?!
**
Atualizando: fotos de hoje com o mega gloss!

Pouco preenchido

Bem preenchido

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Obrigada, Ian!


Oi, meu filho...
Ontem, depois de muito tempo você me viu chorar. Estávamos só nós dois em casa e eu não conseguia sair do chão.
Enquanto as lágrimas escorriam incessantemente pelo meu rosto, você veio e se sentou no meu colo, pegou a Bíblia e começou a folhear. Não fez bagunça, não me chamou, não falou nada. Só ficou ali, no meu colo, folheando a Bíblia.
Sabe, filho, às vezes as pessoas que a gente ama magoam a gente. Elas nos fazem sentir pequenas, diminuídas, humilhadas. Às vezes fazem isso sem querer, tentando nos dar uma lição, demonstrar algum amor. E no fim das contas a gente entende. Mas dói. Dói pra caramba. E a gente fica inerte, como se culpa de tudo o que não deu certo nessa vida fosse nossa, como se algumas escolhas pudessem ser feitas por nós. E, acredite, muitas vezes as situações em que vivemos são frutos das escolhas dos outros. Dos nossos pais, daqueles a quem chamamos de companheiros... E algumas dessas situações são recorrentes. A elas a gente fica imune, muito embora algum sintoma de tristeza pela impotência diante dela apareça de vez em quando.
Eu fui MUITO magoada ontem, meu filho. MUITO. Mas com o tempo aprendi que ser quem eu sou, estar na família em que eu estou, ter os amigos que tenho, trabalhar onde eu trabalho não são deméritos. Ninguém é perfeito. Por favor, aprenda isso. As pessoas podem te dar ou não o que você quer, seus objetivos podem ou não coincidir, elas podem estar ou não à sua altura, serem dignas da sua convivência, do seu amor, do seu afeto, da sua amizade. E se não forem dignas, simplesmente vá embora, filho. Não se relacione. Se o fardo deles for pesado demais, feio demais, fedorento demais para você agüentar, vá embora. Mas não julgue. Porque para muitos o seu fardo vai ser assim também.
Fardo é aquilo que a gente carrega ao longo da vida. São os nossos pais, nossas experiências, nossos traumas, nossos amores desfeitos, nossos defeitos. É o nosso pacote. Todo mundo tem um, Ian. Não se iluda quanto a isso. Mas você tem sempre a escolha de dividir ou não esse fardo. Aceitar ou não o fardo alheio. Como sua mãe, só me resta desejar profundamente e te instruir para que pegue o fardo mais ADEQUADO. O mais adequando não vai ser o mais leve, mas vai ser aquele que você vai carregar com AMOR. E quando eu falo de amor, filho, eu falo de um amor que é comparável a uma fala bíblica e outra que seu bisavô deve ter adaptado desta. A bíblia diz: que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita. E seu bisavô dizia: quando a gente dá alguma coisa pra alguém, a gente esquece.
Então, Ian, se você der alguma coisa pra alguém, não cobre. Não jogue na cara. Se perdoou, esqueça. Se ama, que seja de graça. Se quer alguém na sua vida, esteja na vida dela. Se quer que ela abrace os seus, abrace os dela. Mas faça isso COM AMOR, sabendo que “é necessário que se ature duas ou três larvas se quiseres conhecer as borboletas”.
Ontem você segurou meu fardo com amor, meu filho. Obrigada.
Na ternura e na ingenuidade dos seus dois anos você embalou meu sono com ternura, carinho e cuidados. Ontem, filho, quem cuidou de mim foi você. Quem aplacou minhas lágrimas com a roupinha foi você. Foi você quem me embalou nos braços e me fez dormir.
Te coloquei na cama, olhei nos seus olhos e dei boa noite. Você, antes de virar pro lado, falou “te amo mãe”. Respondi que também te amo, meu filho.
Você se virou de costas pra mim. Mas antes de adormecer, voltou e me pediu “vem cá, mãe”. Puxou minha cabeça de encontro à sua, encostamos os narizes como em beijo de esquimó. Você pegou meu braço e me fez te envolver todinho no meu abraço, ainda com a testa colada. Se mexeu, se ajeitou e colocou a mãozinha em volta do meu pescoço. Começou a fazer carinho. Depois se virou de costas de novo, mas não largou meu braço. Me fez te abraçar de conchinha e fez carinho até dormir.
Meu coração lacerado, pequeno, humilhado ficou grande de amor. Cheio, inchado. Porque eu coloquei o melhor menino do universo na Terra. Deus me deu um anjo pra cuidar. “Um anjo do céu que me escolheu.” E eu chorei baixinho, filho, mas dessa vez de alegria. De alegria de ter você e saber que nós dois juntos vamos sempre de mãos dadas e que não importa o que aconteça, nós sempre vamos ter para quem voltar: um pro outro.
Te amo, Ian! Obrigada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Amigo oculto #1

Outro dia falei pro namorado que não estava muito embuída do espírito natalino esse ano. 
Mas não adianta, né? A gente não consegue fugir dos amigos ocultos da empresa, da loucura dos shoppings e até, por que não?, da beleza da cidade toda iluminada. Confesso que sou meio aleluia (aquele bicho que é atraído pela luz) e adoro uma iluminação bem feita. (Até estou pensando seriamente em trocar todas as lâmpadas da minha casa por lâmpadas de led. São bem mais bonitas, duram mais, iluminam mais e consomem menos.)
Bem, mas o que quero dizer é que na próxima sexta é o primeiro amigo oculto de Natal. Só de mulheres aqui da empresa. 
Foi um mega desafio escolher este primeiro presente porque 1) eu não conheço a minha amiga e 2) o presente tinha que ser de, no máximo, R$15,00.
Aproveitando uma ida-resolvedora de pepinos-ao-shopping, eis que calhei-me em frente à Imaginarium. Loja muito bacana para dar presente impessoais, divertidos e não muito caros.
Confesso que não encontrei nada legal por R$15,00, mas por R$20,00 tem muita coisa! E como o escorpião não habita este bolso e é sempre bom causar boas impressões, o que são R$5,00 a mais por um sorriso - ainda que desconhecido -  não é?
Optei por este conjunto de copos bem legal! 

No site da loja eles ficam ainda mais baratos: R$7,90! Dava até pra comprar dois conjuntos, mas o tempo de entrega não me permitiu.
Enfim, fica a dica pra quem quer presentear muita gente nesta data querida mas anda com a grana curta...
Atualizando: taí meu presente esperando para ser entregue...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Trocas

Eu troquei sim.
Todas as mentiras por uma verdade.
Todas as inseguranças por uma certeza.
Todas as agressões por um porto seguro.
Todos os porres por um café da manhã digno.
Toda a falta de perspectiva por um raio de luz no fim do túnel do futuro.
Eu não traí ninguém. Eu fui fiel a mim.
Depois de meses – que mais pareceram anos – segurando barras que não eram minhas, trancos que não me diziam respeito, sofrimentos que em nada me pertenciam e ainda sim ser digna e leal a você; depois de sofrer inúmeras humilhações e interrogatórios da sua família, me expor para te defender sempre, abdicar da minha família sem um gesto de respeito ou consideração que fosse, eu caí em mim e percebi que se eu não cuidasse da minha vida, então duas estariam perdidas. Porque eu jamais conseguiria te salvar e acabaria afundando a mim mesma.
Tivemos momentos de felicidade. Será que foram reais em meio a todas as mentiras?
Tivemos momentos de verdade. Esses foram os piores porque não eram verdades espontâneas, eram verdades descobertas ou realidades lancinantes.
Nunca tivemos momentos de honestidade, muito embora em mim isso tenha sido um princípio a reger todo o relacionamento. Meu passado me bateu demais pela falta de transparência.
Assim como ninguém muda ninguém, eu não conseguiria mudar você nem em um milhão de anos. E como não tenho todo esse tempo, o melhor que fiz foi ir embora. Por mim e por você.
Eu sofri. Tenho certeza que você também.
Eu fui por outro caminho. Não sei qual você tomou.  O que sei é a estrada era apertada demais para continuarmos os dois seguindo nela e em direções opostas. Porque eu não te seguia e nem você a mim. Batemos de frente todo o tempo tentando empurrar um ao outro e tudo o que conseguimos foi nos machucar.
Felizmente o amor sorriu pra mim mais cedo. Talvez porque eu tenha merecido, talvez por sorte, talvez porque fosse realmente a hora. E o amor vai sorrir pra você também.
O amargor do fim passa por todos os lábios, mas não precisa permanecer neles. Cuspa esse fel e liberte-se de nós.
Deixei pra você a estrada livre para que você seja melhor, viva melhor e encontre alguém que te faça realmente feliz. Que não te cobre tanto, que seja mais leve, menos séria, que não queira e nem tenha um compromisso, que traga somente bons momentos, que se conforme sem pedir em troca, que se adapte a você.
Eu sou inquieta, ansiosa e inconformada demais para ver a vida passar na minha frente e não fazer nada, para ver as coisas erradas e não corrigir, para ser figurante na minha própria história esperando que, um dia, pela boa vontade de alguém, eu seja finalmente vista e promovida a protagonista. Não consigo. Não tenho paciência.
E assim como você não foi obrigado a conviver com as minhas imperfeições, também não sou obrigada a conviver com as suas. Acho que somos insuportáveis demais um para o outro. Pena que fomos tão fundo, nos envolvemos tanto para descobrir isso. Às vezes, se tivéssemos sido mais fúteis no começo, descobriríamos tudo isso antes e envolveríamos menos pessoas na decepção que fomos nós dois.
Isso foi um desabafo sensato carregado de tristeza. Não é nem mágoa. É tristeza. Pelo que você se tornou depois do fim. Por tudo o que disse, por tudo o que fez. Eu não proferi nenhuma palavra a seu respeito, embora tivesse tudo para falar. O que vi, o que vivi, o que sei. Mas não. Calei. Por respeito. Por dignidade. Por maturidade. E te defendi quando qualquer pessoa ameaçava tocar no seu nome – ainda que essa pessoa tivesse razão sobre o que quer que fosse falar. Porque não é justo julgar alguém que não está ali para se defender. E eu poderia, afinal, você anda falando cobras e lagartos sobre mim. Mas eu prezo a minha honra, minha elegância, minha classe. As coisas não precisam terminar assim.
Te proponho então uma trégua. Nem ode aos bons momentos, nem a vergonha sobre os maus. Simplesmente ignoremos o que foi e foquemo-nos no que pode ser. Você, sua vida, daqui pra frente. Eu, minha vida, daqui pra frente. Esquece que um dia eu passei por você. Recomece. Porque uma coisa eu te garanto: outra história igual, nunca mais vai haver. Graças a Deus.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Também ganhei um texto!

Chegou na minha caixa esse texto de um amigo querido que nãoo vejo pessoalmente há muito tempo e que acompanha, de uma forma ou de outra, minhas "aventuras" pela vida.
Ele me mandou esse texto dizendo:
"Cá, 
Andei pensando e essa deve ser a sensação de alguém que te perde.
Ainda bem que te tenho sempre como amiga. Não suportaria viver nem por meio minuto tudo o que pensei que alguém pode viver por uma vida sem você depois de ter de conhecido.
Abraços..."
Obrigada, querido!

E agora que ela foi embora?
Que ela fechou a porta, mudou de casa, de telefone, de emprego, de vida?
Quanto tempo vai demorar para descobrirem sobre ela? Sobre as milhões de complexidades que fazem parte daquela cabeça, daquele corpo pequeno que abriga tantas contradições, que é tão frágil e ao mesmo tempo tão forte?
Quem vai descobrir que ela é do tipo de mulher que se ganha com um papel de bala?
Que uma jóia dada de presente, sem um cartão, não é nada além de uma jóia qualquer que ela mesma poderia ter comprado pra si própria?
Que ela chora. Muito. Até em propaganda institucional.
Que, quando ela chora, ela não gosta de ser abraçada.
Que as maiores lições da sua vida ela aprendeu num livro de criança.
Que ela chorou lendo O Pequeno Príncipe no ônibus.
Que ela gosta de dormir com os pés enroscados, apesar de não suportar a tal da conchinha.
Que ela gosta de se sentir segura.
Que tem medo de altura, mas adora montanha russa.
Que queria ser bailarina.
Que queria ser redatora.
Que ela toma florais.
Que ela gosta de pertencer.
Que ela só tem de meiguinha, a cara. De princesinha, o porte. 
Que ela não faz o tipo mulherzinha.
Que ela odeia bancar a vítima.
Que ela é guerreira demais, trabalha demais, é mãe demais, ama demais.
Que ela é a definição do superlativo.
Que ela ama a família antes que qualquer coisa, pessoa, lugar ou animal.
Que ela é a criatura mais especial que o mundo já viu.
Porque ela é ela desde o princípio. Linda, inteligente, doidinha, dócil, brava, severa, séria. 
E agora ela foi embora. Está só na vida. Andando por outros caminhos que eu não conheço, onde não tenho acesso, para onde não posso correr para segurá-la.
Mas ela sempre foi pássaro livre. Engaiolada ela morre, perde as penas, as cores, a alegria.
Eu sei que ela lutou o quanto pôde. Que ela tentou ficar. 
O problema é que eu sempre achei que ela nunca iria. 
Ela persiste em tudo nessa vida. Ela vai até a última gota de sangue pra fazer qualquer coisa dar certo. Mas se não dá, ela é mulher pra desistir e ir embora. Não se sente derrotada, não se sente perdedora. Ela tem certeza, ciência das coisas que faz. Eu queria essa ciência pra mim, mas não tenho. Agora nem a minha, nem a dela.
Vai, moça. Vai pela vida. Procure suas novas batalhas pra travar, seus novos sonhos pra sonhar.
Toda a sua felicidade é merecida e você foi feita uma pessoa pra se amar.
Como eu não soube te dar amor, me resta agora a imensa dor de conviver com a sua partida.
Sabendo que essa passagem você comprou só de ida.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Feliz aniversário!


No começo foi uma angústia. Um sofrimento. Uma incerteza.
Uma certeza. Uma escolha. Uma dor. Uma saudade de 20 anos em menos de 20 horas.
Depois veio a sensação de alívio. Um pouco de medo pela novidade. O começar de novo. Saber seu nome, de onde você veio, o que já fez na vida, se já amou e foi amado, se já sofreu e fez sofrer, que histórias já contou, que histórias já contaram sobre você e, o mais importante, que histórias ainda quer contar.
Lembrei da borboleta. (Dei um Google numa metáfora linda sobre a metamorfose das borboletas que li outro dia, mas não achei a porcaria do artigo. Enfim.)
Que a bichinha nasce um ovo, vira uma lagarta horrorosa e comilona, depois se encasula e sai da casca como uma linda borboleta a gente já sabe.
O que pouca gente sabe é que a ruptura desse casulo é lenta e dolorosa, e que quando ela finalmente consegue se livrar da casca, ela está com o corpo mole e as asas amassadas.
Acho que eu estava assim. Com o corpo mole e as asas amassadas. Até você chegar. Aliás, minto. Até você chegar eu estava com uma visão e um sentimento míopes da vida, enclausurada num casulo pequeno, apertado, que me machucava. Você quebrou meu casulo. Me ajudou a sair dele. Me pegou molenga e amassada. E assim eu estava até um certo oito de setembro. O dia do primeiro de muitos SIM que eu diria a você.
O tempo foi passando. Às vezes rápido, às vezes devagar. Rápido quando estávamos juntos, devagar quando o momento era de espera para te encontrar de novo. Mas em qualquer das duas situações o tempo, esse separa e que junta, nunca deixou de ser intenso.
Acho que demorou tanto pra gente se encontrar que não poderia ser de outra forma. Depois de tantos desencantos, a urgência de alguma coisa verdadeiramente linda nessa vida rege a profundidade de cada segundo que passamos seguindo juntos, em frente. E se há verdade, sinceridade, lealdade, compromisso e vontade espontânea de estarmos dividindo a mesma estrada, o nascimento de um sentimento etéreo é conseqüência das nossas ações.
É bíblico:  
“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4:8
Bem, e logo comigo, óbvio, não haveria de ser diferente.
Primeiro era só felicidade, mas uma felicidade restrita. Eu me policiava o tempo todo para viver um dia de cada vez. Não alimentar sonhos, não nutrir expectativas, não acalentar esperanças, não projetar. Um dia de cada vez. E eu não sou assim. Eu tenho um pé na Terra e um pé na Lua.
Então me permiti sonhar com você. Mas apavorei quando pensei que você poderia, por algum motivo, não sonhar comigo também.
Aos pouquinhos você foi construindo alicerces em mim. Uma casa na pedra:
“Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas ela não caiu, porque fora construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve essas minhas palavras e não as põe em prática, é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, e ela caiu, e a sua ruína foi completa!” - Mateus, 7:24.
Com carinho e (muita!) paciência, foi espantando meus medos, me tomando nos braços, me deixando segura.
E essa segurança favoreceu o nascimento de um sentimento bom que não anula a paixão, mas acrescenta a tranqüilidade na vida da gente. Na minha concepção ele une duas pontas essenciais em um relacionamento. Quando ele permeia duas vidas, ele deixa a gente com cara de Jota Quest:

“Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a sua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu to tranqüilo
Tranqüilo...

(...)

Se isso não é amor, o que mais pode ser?”
 Eu demorei pra sacar que estava amando de novo. Eu achei que ia levar muito mais tempo pra isso acontecer. Eu fui muito machucada pela vida afora. E quando a gente leva um tombo e se levanta, fica mais criterioso, mais exigente, mais chato, menos tolerante pra entregar o coração. Mas você fez ser diferente.
Você não desistiu de mim, você me enfrentou e disse que ia lutar por nós, você me mandou pular pra você. Só que, sem saber, eu já estava aí. Do seu lado. VOCÊ me fez ter coragem.
E, de repente, eu acordei mais que feliz. Mais que apaixonada. Mais do que sorrindo pra moça da padaria. Mais que não me importando com a falta de vaga na rua. Era como se alguma coisa fosse explodir dentro de mim a qualquer momento. Pensar em você acelerava meu batimento e te ver me dava vontade de sair correndo, gritando e ao mesmo tempo de não sair correndo de nada, nunca mais.
Vontade infinita de ficar, de pertencer, um fim da linha bom. Fim da espera, fim da procura, fim da ansiedade, fim de uma busca incessante pela pessoa que, finalmente, me faria ficar. Não porque me segura de alguma forma. Não porque me prende ou me põe em qualquer tipo de gaiola. Sabendo que eu posso ir, ficar porque eu quero.
Aí vem os questionamentos mundanos: mas é muito pouco tempo pra sentir isso tudo, não?
Defina tempo. Quanto tempo é muito tempo?
“Um dia sem te ver é muito tempo. Sessenta anos juntos não é muito tempo não.” 
Lembra disso?
Naquela noite eu tive certeza. Olhando pra você tão pertinho e desejando que você ficasse mais perto ainda, mais junto ainda, eu tive certeza. E dane-se o tempo!
Nosso tempo não é o tempo dos outros. E o tempo dos outros não é o nosso tempo.
E eu queria te falar ali. Mas não tive coragem e ao mesmo tempo acho que queria ouvir primeiro. E, honestamente, tive medo de que não fosse recíproco.
Drummond veio bater um papo nas minhas lembranças:

“Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.”

De repente você virou um enigma! Será que a gente estava na mesma página? Será que eu estava me precipitando? Sendo afobada? Correndo com as coisas? Você nunca tinha mencionado nada a respeito do que andava sentindo.
Resolvi deixar o que fosse explodir só em mim. Eu dava conta. Como dei.
Fim de semana, fazenda, espumante e palavras fluidas. Impossível segurar.
Não há vergonha em amar alguém. Não há vergonha em não ser amada de volta. Você me resolveu.
Me declarei uma vez. Me declaro todos os dias. Me declaro quantas vezes eu quiser só pra sentir meu riso fácil de novo.
Que bom que você me ama também! Isso é importante! Ufa!
Mas, egoísticamente falando, o mais importante do meu amor por você é o tanto que ele me faz feliz! O tanto que eu estou plena hoje como não era há, pelo menos, três anos. O tanto que estou tranqüila, que mesmo em meio a mil guerras, eu sinto paz. O tanto que estou leve, que me olho dançando no espelho, como foi hoje, e sinto minha inocência de volta. Desarmada.
Então eis aqui o outro presente que você me pediu de aniversário: um texto feliz!
Feliz por mim, por você estar aqui, por nós existirmos. Por tudo o que já foi – ainda que o que foi possa parecer pouco, por tudo o que é e por tudo que pode ser.

“Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”

**Colaboraram com esse texto Jota Quest, Deus e Carlos Drummond de Andrade!